Carta aberta

wefoundloveEu queria escrever isso free hand. Mas não tem papel nem caneta em casa. Por aí começa a carta de amor de uma pessoa fodida: Jornalista, sem papel nem caneta em casa.

Também queria escrever em inglês, fugir da prosa. Poetizar.

Bukowski.

E. E. Cummings.

Mas não tenho nem inteligência e nem talento o bastante para tal.

Assim prossegue a carta de amor de uma pessoa fodida: Sem papel, sem caneta, sem inteligência e sem talento. Não sei se mencionei, mas também não vou te mandar isso. Sem coragem.

Por sorte eu posso citar gente que provavelmente tinha tudo isso e dizer que tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. O que, no meu caso, é verdade.

Drummond.

Some isso a umas saudades bizarras.

Saudades, por exemplo, de dividir com você a vida que não tenho. Saudades sem nostalgia. Umas saudades que não dão vontade de voltar, reviver, regredir. Saudades de criar novas saudades ao teu lado. Saudades dos planos e das possibilidades que estão lentamente se apagando em mim.

O gosto da espera. Tão forte, tão doce, tão intenso. Que intoxica.

Gastrite.

Uma dor intensa, repentina. Um embrulho no estômago. Causados justamente pela falta de tudo isso: do intenso, do repentino, dos embrulhos da intoxicação que vivemos juntos. Saudades do veneno bem acompanhado. Grudado. Aninhado.

Todas as misturas nocivas do mundo. Químicas, físicas, psicológicas. Todos os perigos materiais e emocionais em um mesmo momento. Em dois corpos. E nunca a vida pareceu tão segura.

Os dias surreais que tornam tudo tão mais palpável.

A nossa realidade tão utópica.

E esse eterno cansaço em esperar pelos dias passados. Essa desesperança ao olhar para trás e ver apenas as vontades futuras. Tão reais que são inatingíveis. O medo do fade out. A perda da memória. A minha clássica desistência.

Este é para ser o fim dessa carta. E eu pensei em diversas formas de fazê-lo.

Mas parece que somos mesmo um eterno meio,

Advertisements
Carta aberta

One thought on “Carta aberta

  1. Mauricio says:

    Engraçado como é a vida. Eu aqui enrolando no trabalho, procurando coisas inúteis no google, e me deparo com seu blog. De repente muitas coisas que estavam pra ser ditas e que eu nem me lembrava, aparecem escritas por uma pessoa que nem sei quem é. Estranho essa sensação de se tentar lembrar do que não se sabe mais, tentar lembrar daquilo que talvez nunca tenha acontecido. Li seus texto e me apareceu relances dessas lembranças. Pensei que estavam mortas. Obrigado!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s