Quanto falta para enlouquecer?

Tem muito ar no meu mapa astral. Me falta fogo. Tem muito raciocínio, muita utopia, muita viagem. Tendo em vista a quantidade de heresia que há dentro de mim, me falta pecado.

Ps. Deve ser por isso que escrevo tanto. Para começar a exorcizar.

Cerca de seis anos atrás eu viajei com a escola em uma excursão para assistir O Fantasma da Ópera em São Paulo. Na época eu ainda era muito apegada ao meu pai e liguei para ele de lá. Só conseguimos nos falar quando eu estava já com as malas prontas para voltar para Maringá. E a novidade foi: Ele estava em São Paulo.

Eu queria pegar todas aquelas malas ali prontas e ir até ele. Encontrá-lo, abraçá-lo e passar a noite conversando com ele. Contando sobre como estava a minha vida, o que eu – prestes a prestar vestibular – estava pensando em fazer, desabafando sobre o meu último caso de amor que não deu certo, sendo abraçada por ele. Eu queria ter ido até o meu pai. Mas não fui. Peguei minhas malas, entrei no ônibus da excursão do colégio e fui embora.

Nesse dia foi que a pergunta surgiu. E não foi embora desde então.  Por que não? O que me impedia? Quando é que a tal coragem, que eu tanto almejo, vai chegar? O que me falta para enlouquecer? Para ser insana o bastante a ponto de fazer as coisas que realmente quero? Por que a gente não enlouquece mais? Qual é o start?

Vou ressaltar que tenho muito ar no meu signo.

Daí é claro que racionalizei isso também. Se é ter o dinheiro, a independência ou só a coragem mesmo. Se é um – 01 – evento que nos enlouquece ou se é uma soma. Quanto falta para enlouquecer? Será que, quantitativamente, vamos acumulando pequenas loucuras, até chegar ao nosso ápice. Ao melhor de nós. Ao mais sincero de nós. A nós mesmos.

Imagina só, cometer algo tão, mas tão insano, que nos faça sentir plenamente nós mesmos. Inteiros.

Ou talvez a gente nunca sinta. Talvez só lá no final a gente olha para trás e percebe que cometeu tantos pequenos delitos que acabamos passando pela vida assim: Enlouquecendo.

Ou talvez a gente só se arrependa muito de não ter pegado as malas e ido para o outro lado.

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Quanto falta para enlouquecer?

Let’s live this dead end town

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We are such a mess. Não há nada em nós que não seja assim. Bagunçado. Ridículo. Nós somos uma bagunça ridícula.

Nós somos corações partidos, autoestima baixa, contas a pagar, utopias, depressões, indecisões e essa enorme vontade de fugir. Nós somos o medo da morte. E a vontade da morte. Nós somos esse eterno suicídio incompleto.

E eu choro com você. Eu choro por você.

Eu choro porque, de alguma forma, é incrível como no meio dessa infelicidade toda a gente se encontrou. E não solucionamos porra nenhuma na vida um do outro. Além do fato de termos um ao outro.

E continuamos aqui. Perdidos, fodidos. Tanto que só a gente sabe.

Eu choro porque é incrível, em meio a isso tudo, se dar conta de uma sinceridade visceral – a qual só a tristeza é capaz de produzir – que consegue ser maior que tudo isso.

Um dos pedaços mais honestos de mim – e você sabe que tenho muitos pedaços – deixo com você. Em cada abraço. Não há nada mais sincero do que a dor que partilhamos um com o outro. Você é o meu pedaço mais obscuro. Você é o meu segredo mais público. Você é meu espaço seguro.

Nós compartilhamos a miséria. Nós dividimos toda destruição que há dentro de nós um com o outro. E é por isso que sorrimos tanto juntos. Porque cara-a-cara com tantos destroços, só dá para pensar em construção.

Construção real. Feita a base dessa argila torta que somos. Porque é só nesse apoio que não corremos risco de desmoronar.

You’re my best friend and we’re dancing in a world alone.

Let’s live this dead end town