Todas as letras

Tenho umas inquietudes difíceis de se lidar. A pressa da juventude e esse medo que a maturidade me trouxe, sem o meu consentimento, se juntam, nessas inquietudes. Difíceis de se lidar.

Mariposear. Não acredito que não oficializaram esse verbo ainda. Dessas noites em que cérebro, alma, coração, estômago, língua e sistema reprodutor se encontram pra prosear. Indo e vindo, num bater de asas rápido, confuso, desencontrado. Mariposeando.

Essa inquietude. Que não deixa a gente perceber onde está a dor, onde esté a cura, para onde a gente corre, do que é que a gente foge, pra que lado a gente vai, qual a cor. Qual a cor? Qual a cor da tua inquietude? Onde queima tua aflição? Que cheiro tem teu medo?

tumblr_m8wt9lR4fd1qh1rzmo1_500Mariposeando. Circulação sem fim de todas as sensações. E os sonhos. E os pensamentos. E aquilo meio sem forma, nem contexto, que se passa aí dentro de um lado pro outro. O formigamento que começa nas pontas dos pés e o arrepio magnético dos fios de cabelo. Mariposeamento.

Essa inquietude. Uma das dores em se ver tão universo. E tão pequenininha. Quem guenta ser desse tamanho minúsculo tem todo esse espaço pra conhecer dentro de si? Essa pressa em andar pela própria mata adentro. E o mariposeamento que impede de parar. Descansar. Contemplar.

Que pressa em voar é essa? Deu nem tempo de ver a cor do céu ainda.

Quanto espaço para se andar. E essas dores nas pernas que impulsionam, mas não deixam continuar.

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Todas as letras

Amasseta

Tranquila
A pressa
Se expressa

Devagar
Acalma a cama
Que espera
Em chama

Me chama

Derrama
De uma vez só
Derruba sem dó

Não há cortina que cubra

Deus me acuda

Amasseta
Em riso incontido
Que esconde

Olhar perdido
Que acerta

Em cheio

Sem pressa

E passa o dia
Contida em alegria
Pra derramar
Na lata

Inquieta

Exata

Amasseta

Amasseta