Mariana

Eu não sei como começar a te escrever, Mariana. Tanto é que já comecei e apaguei umas três vezes.

É que tu é muito grande, Mariana. Enorme. Tu não cabe nas minhas linhas. Eu sou pequenininha, sei poucas palavras para te escrever, Mariana. Quantos dicionários seriam precisos para te traduzir?

Tu não podia ser um texto meu, Mariana. Tu tinha que ser um livro. Um livro bonito bonito e famoso, escrito por gente importante.

Que grandeza teu nome alcançou na minha vida, Mariana.

Tu foi embora há pouco. Deixou um gole de vinho na taça. O resto de um baseado. Tu foi embora há pouco, mas quem vai embora sou eu. Eu não quero ir pra longe de ti, Mariana. Eu não tinha me tocado o quanto eu não queria ir pra longe de ti, até que você chegou.

“Tu me dá consciência de mim, Mariana.”

Eu te vejo e descubro coisas sobre mim que não sabia antes. Só de te ver ali. Só de saber que você vem.

Tu foi minha guia, Mariana.

Sei lá que nova espécie de amor foi essa que a gente inventou, Mariana. Sei lá! Vai ver só vão diagnosticar no futuro. Vai ver só a gente vai saber. Sempre.

“Já reparou que quando a gente está no mesmo ambiente, forma uma terceira pessoa?”

“Aham. E que mulher!” tu me respondeu.

Obrigada, Mariana.

Até logo!

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Mariana

We’re on each others team

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Existe uma similaridade gritante entre nós. Que de longe se escuta, se vê. se lê.

Tanto é que, de longe, nem dá para saber das nossas discordâncias. Nossas discussões. Nossas caminhos opostos dentro de uma mesma casa. Nossos momentos de “amiga, ficou um climão depois dessa treta, vamos falar de outra coisa?”. Pouco se sabe sobre isso.

Culpa dessa similaridade que berra a plenos pulmões o quanto estamos juntas. E que bom. Porque estamos.

Estamos aqui ao lado uma da outra. No meio de tudo que nos diverge estamos em nossos braços. Entre abraços.

Nós nos amamos.

E nos amamos enquanto verbo. Nós, ao lado uma da outra, nos amamos. Nós tiramos o amor do planos das ideias. Nós o transformamos em apoio, suporte, proteção, compreensão, cuidado e cura. Cura. Nós nos curamos de um jeito que só o amor é capaz de curar.

Nem precisava ter esse nome. Nem precisávamos falar de amor, de irmandade, suporte, “sororidade” (a sua palavra, da qual eu sequer gosto haha).

É tão enérgico, real, vívido, palpável que nem precisava ser decomposto em palavras. Mas nós insistimos. Acho que porque nunca é demais.

Nós nos amamos.

Nós somos um emaranhado de teorias se entrelaçando em forma de gente. Em forma de conversas, risos e olhos nos olhos. Nós somos pequenas revoluções criadas em momentos de olhos nos olhos.

Você revoluciona minha vida existindo dentro dela.

Eu te amo com o que há de mais sincero em mim.

We’re on each others team

Lutar pelo que realmente importa

Marcha das Vadias

E o blog descompromissado com Ativismo se inicia falando de… Ativismo.

Quero falar brevemente sobre esse estigma. Sobre o argumento mais antigo (e mais vazio) usado para desligitimar uma luta, o “lutar pelo que realmente importa”.

Porque voltemeia você vê o pessoal se mobilizando por coisas “irrelevantes” não é mesmo? Por um comercial mal feito, uma brincadeira na faculdade, uma piada sem graça, uma bobeira dita na novela das oito… Sabe, ao invés de lutar pelo que realmente importa. Por que ao invés disso as pessoas não se mobilizam de verdade contra a corrupção, contra o trabalho escravo, contra os estupradores “de verdade”?

Bom, a resposta é bem simples: Porque essas coisas realmente importam. Cada pontinho, por mais bobo, por mais simples que permeia a nossa cultura é que produz a nossa sociedade. Somos uma soma. Cada uma das nossas atitudes indivíduais são políticas e todas elas somadas são o que dá origem ao “que realmente importa”.

É triste, porque já vi tal argumento sendo usado mesmo por gente muito querida, inteligente e, bem, ativista em determinados meios. Mas vale sempre lembrar: Pertencer a algum grupo excluído, a alguma minoria política, não te exclui de ser privilegiado de várias outras formas. Exemplo: Se você está lendo esse texto agora é enorme a chance de você ser classe média. Pronto, já é um ponto privilegiado.

E o privilégio é um muro que não nos permite enxergar do outro lado. Precisa subir em muito tijolo para alcançar a empatia, lá em cima de tudo.

O fato é que se um grupo de pessoas com baixa representatividade política (mulheres, negros, gays, trans*…) tem o trabalho de se reunir para reclamar de uma determinada postura, seja ela pessoal, midiática, educacional, enfim… provavelmente é porque aquilo realmente importa.

Provavelmente aquela piadinha inocente, aquela imagem casual ou aquela frase retirada de contexto influi negativamente na cultura que cerceia e oprime essas pessoas, mesmo que indiretamente. E o fato de você não enxergar isso, não significa que não é uma luta válida, significa apenas que ou você observa tal situação de forma naturalizada e acrítica ou que ela não te atinge.

“É claro que nós só aprendemos a história branca na escola… homens brancos fizeram tudo o que é importante”

Na segunda situação, nada mais é do que: Você é privilegiado(a).

Não é porque algo não seja importante para você que isso não seja importante at all. Acredite, as pessoas estão a todo momento lutando “pelo que realmente importa”. Desde gente que compartilha imagem de cachorro perdido no facebook até quem é voluntário em hospital do câncer. Tudo depende de com o que você se envolve, com o que te atinge.

São muitas as coisas que realmente importam. Por sorte, uma luta não impede a outra. Se você acha que tem gente “perdendo tempo” criticando determinadas “bobagens”, ora, ache as suas próprias para criticar. As que te atingem, as que você acha que “realmente importam”. Se você acha que a luta pela igualdade, por um mundo melhor se dá de outra forma, pode pegar sua bandeira e fazer do seu jeito que aqui você cabe.

Tem espaço de sobra para militância no mundo.

Lutar pelo que realmente importa