Lixo

Veja bem que loucura, há algum tempo atrás escrevi esse texto e, realmente, estava vivendo uma fase com muitas gavetas na época. Hoje falo de lixo, porque tenho andado mais próxima dessa ideia, Acredito que isso ainda vá evoluir mais (oremos).

Mas descobrir o lixo foi algo maravilhoso para mim. E a ideia do lixo tem chegado a mim de diversas formas. “Joga fora”. “Abandona”. Me falam tantos, de tantos lugares. Que tive que ouvir, né? É difícil demais. A gente ignora durante um tempo. Mas tem uma hora que tem que escutar.

E não é que a ideia foi boa? Rapaz. E foi.

Quando veio, veio inesperada. Veio assim da amiga de uma amiga que sem querer entrou na minha casa. E mudou minha vida em duas frases, minha gente. Olhou a minha louça não lavada, o chão sem varrer, a roupa no tanque e a cara de cansada.

Como pode? A casa tão bagunçada e a gente tão cansada? A bagunça é cansativa, vixe. Exaustiva. Ela te suga para dentro dela. Você se sente lá, mais um serzinho, miudinho em meio a tanta coisa acontecendo. Não dá nem pra ver o que é bom e o que é ruim, o que ainda presta e o que não, na bagunça.

Tudo é muito confuso. Nossa. Facinho de se perder.

E a amiga da amiga que entrou na minha casa me olhou e disse: Lava essa louça. Disse com uma doçura que só ela tinha. Mas disse: Lava essa louça. Eu respondi que estava muito difícil, que eu não sabia por onde começar.

Sabe, quando tudo parece dolorido demais? Cada passo parece a toa, em vão. Cansativo, nossa. Exaustivo.

E realmente, na bagunça. a gente não sabe por onde começar.

Ela me disse a segunda frase: Joga fora tudo o que você não usa mais. Ai, deliciosas! Deliciosas essas palavras! Mágicas! Joga fora tudo o que você não usa mais.

Quão grata eu sou, por quem entrou na minha casa e me mandou lavar a louça e jogar fora tudo o que eu não usava mais. Desde então tenho feito isso. Me preocupado com essa limpeza e com remover o excesso.

Aprendi aí que, muitas vezes, a bagunça é só excesso. Parece uma zona, mas só tem coisa demais. Fica muito mais fácil organizar esvaziando o espaço.

E vê bem: Dá pra jogar uma porrada de coisa fora. Roupa, papel, conta, cabelo, bilhete, passagem, dúvida, rancor, amor antigo, vício, mania, ego, nossa. Muita coisa. Nossa. Tem muita coisa sobrando. Daí não tem espaço que dê conta mesmo. E sufoca. Sufoca sim.

Tem gente que explode também, mas olha só, ainda é questão de muito em pouco espaço.

Dá para trabalhar com o espaço que a gente tem. Esvaziar a gaveta, o armário, o peito, o tempo, a mente, a casa, a alma, a pia e a pele. Dá para colocar ali só o proveitoso. Joga fora tudo o que você não usa mais.

Desde então comecei a lavar a louça. Também tenho andado por aí me despindo.

Lixo

Dois discos que têm feito sentido ultimamente

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Dois discos têm feito bastante sentido ultimamente. Acho engraçado que os dois estejam fazendo sentido assim, simultaneamente, sendo que são tão diferentes. Trabalhos diferentes que me causam sensações diferentes, mas que – de alguma forma – estão fazendo sentido juntos.

(Tenho pensado muito nessa coisa de “fazer sentido ultimamente” e da importância de se lembrar não só das coisas, mas do sentido que elas faziam em um determinado momento.)

De qualquer forma, vou falar sobre dois discos que têm feito sentido. O primeiro é Our Endless Numbered Days. Iron & Wine.

Vou começar contando que a primeira música que ouvi desse disco me foi enviada pela – já citada nas entrelinhas desse blog – incrível Mariana. Como então ele poderia não fazer sentido? É claro, minha faixa favorita do disco. Claro né, Mariana.

Tu sabias que essa seria minha faixa favorita do disco.

E faz sentido de um jeito profundamente triste, melancólico e pacífico. Ironicamente um ponto de paz profundamente ressentido. É invasivo. Iron & Wine é invasivo.

Mas faz sentido.

chinese-manO outro disco que tem feito sentido é Racing With The SunChinese Man. É claro, esse também começou com boas lembranças. Gente boa recomendando em momento bom.

O que me faz pensar que um som nunca é só um som. A gente dificilmente gosta do som pelo som. A gente gosta da memória do som, da história por traz do som, da vida do som. A arte traz consigo seu próprio contexto, como um universo próprio.

Mas Chinese Man faz sentido de uma forma muito diferente.

Tem essa vibe da minha cidade atual e toda a vida que tem existido aqui. Tudo que há ao meu redor. De bom, de gostoso, de leve. E de pesado. Tem o pesado também. E tudo aparece nesse disco.

Esse toca minha energia, minha insanidade. Me movimenta. Por favor, me digam o que é Saudade, In My Room, Get Up. Como ficar ileso a esse som?

Claramente uma postagem não condizente com a url do blog.

Dois discos que têm feito sentido ultimamente

Quanto falta para enlouquecer?

Tem muito ar no meu mapa astral. Me falta fogo. Tem muito raciocínio, muita utopia, muita viagem. Tendo em vista a quantidade de heresia que há dentro de mim, me falta pecado.

Ps. Deve ser por isso que escrevo tanto. Para começar a exorcizar.

Cerca de seis anos atrás eu viajei com a escola em uma excursão para assistir O Fantasma da Ópera em São Paulo. Na época eu ainda era muito apegada ao meu pai e liguei para ele de lá. Só conseguimos nos falar quando eu estava já com as malas prontas para voltar para Maringá. E a novidade foi: Ele estava em São Paulo.

Eu queria pegar todas aquelas malas ali prontas e ir até ele. Encontrá-lo, abraçá-lo e passar a noite conversando com ele. Contando sobre como estava a minha vida, o que eu – prestes a prestar vestibular – estava pensando em fazer, desabafando sobre o meu último caso de amor que não deu certo, sendo abraçada por ele. Eu queria ter ido até o meu pai. Mas não fui. Peguei minhas malas, entrei no ônibus da excursão do colégio e fui embora.

Nesse dia foi que a pergunta surgiu. E não foi embora desde então.  Por que não? O que me impedia? Quando é que a tal coragem, que eu tanto almejo, vai chegar? O que me falta para enlouquecer? Para ser insana o bastante a ponto de fazer as coisas que realmente quero? Por que a gente não enlouquece mais? Qual é o start?

Vou ressaltar que tenho muito ar no meu signo.

Daí é claro que racionalizei isso também. Se é ter o dinheiro, a independência ou só a coragem mesmo. Se é um – 01 – evento que nos enlouquece ou se é uma soma. Quanto falta para enlouquecer? Será que, quantitativamente, vamos acumulando pequenas loucuras, até chegar ao nosso ápice. Ao melhor de nós. Ao mais sincero de nós. A nós mesmos.

Imagina só, cometer algo tão, mas tão insano, que nos faça sentir plenamente nós mesmos. Inteiros.

Ou talvez a gente nunca sinta. Talvez só lá no final a gente olha para trás e percebe que cometeu tantos pequenos delitos que acabamos passando pela vida assim: Enlouquecendo.

Ou talvez a gente só se arrependa muito de não ter pegado as malas e ido para o outro lado.

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Quanto falta para enlouquecer?